Projeto instala 130 armadilhas para estudar mosquito maruim em SC
- Juliano Bertoldi
- 12 de mar.
- 3 min de leitura
Pesquisa busca monitorar o inseto e testar controle biológico nas lavouras.
Teve início na última semana de fevereiro a segunda etapa do Projeto de Manejo Integrado do Mosquito Maruim em propriedades rurais de Luiz Alves. A iniciativa busca identificar os locais de maior ocorrência do inseto, responsável pela transmissão do vírus que causa a febre oropouche, doença que apresenta sintomas semelhantes aos da dengue.

A pesquisa é realizada com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e conduzida por pesquisadores da Estação Experimental da Epagri em Itajaí.
Nesta fase do projeto estão sendo instaladas 100 armadilhas de campo e 30 armadilhas luminosas, desenvolvidas pela equipe em 2025. Os equipamentos serão distribuídos em duas propriedades rurais do município, uma dedicada ao cultivo de banana e outra à criação de gado.
As armadilhas de campo serão posicionadas em diferentes pontos das propriedades, como dentro das lavouras, próximos a estábulos, na grama e também na brita ao redor da residência dos produtores. O objetivo é identificar quais ambientes são mais atrativos para a reprodução do maruim.
Além disso, uma gaiola de tela equipada com armadilha luminosa será utilizada para testar a eficácia da mosca soldado negra no controle biológico das larvas do maruim.
Segundo o pesquisador e entomologista da Epagri, Wilson Reis, a mosca soldado negra é nativa das Américas e não transmite doenças. Na fase larval, ela compete pelo alimento com a larva do maruim, podendo reduzir sua presença.
“A mosca soldado, na fase larval, compete pelo alimento com a larva do maruim; além disso, ela é muito eficaz para produzir biofertilizante a partir dos resíduos orgânicos, dando uma destinação adequada aos restos da lavoura”, explica o pesquisador.
Para viabilizar o experimento, foi criada uma colônia da mosca soldado negra na Unidade de Produção de Bioinsumos da Estação Experimental da Epagri em Itajaí. No local ocorre o acasalamento dos insetos, a coleta de ovos e a criação das larvas em berçários.
Os ovos também são utilizados em outro experimento que avalia diferentes sistemas de produção de biofertilizante, buscando identificar o método mais adequado para uso pelos produtores rurais.
Entre os modelos testados está um sistema autônomo composto por quatro bandejas distribuídas em dois níveis e protegido por tela. Nas bandejas superiores são depositados resíduos orgânicos, como restos da lavoura de banana. Após consumir o material, as larvas se deslocam para as bandejas inferiores, onde o resíduo já transformado pode ser utilizado como biofertilizante.
De acordo com o pesquisador, o processo realizado pelas larvas é mais rápido que métodos tradicionais de compostagem.
“É um sistema de produção de substrato mais eficiente do que um minhocário, por exemplo, que leva cinco meses para produzir o biofertilizante, enquanto as moscas realizam o processo em apenas 15 dias”, compara Wilson.
Outro experimento conduzido pela equipe busca identificar em qual fase de decomposição os resíduos da lavoura se tornam mais atrativos para o maruim.
Para isso, estão sendo avaliados resíduos com diferentes períodos de decomposição — 15, 30, 45, 60, 90 e 120 dias — e seus níveis de pH. O inseto costuma ser atraído por materiais com pH superior a 8.
“A partir de 30 dias, o resíduo já atinge esse percentual. Já a larva da mosca soldado se alimenta de resíduos com pH entre 6 e 14, por isso consome todo tipo de resíduo orgânico e é mais agressiva do que o maruim”, explica o pesquisador.
Wilson destaca ainda que o maruim é o único mosquito hematófago cuja larva não se desenvolve na água, como ocorre com pernilongos, mas em matéria orgânica em decomposição.
Em Santa Catarina, a maior incidência do inseto costuma ocorrer durante o verão.




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